Pará projeta metas para agro de baixo carbono
Estadoa avança no Plano ABC+ de agricultura de baixo carbono
Foto: Pixabay
A Embrapa Amazônia Oriental realiza, nos dias 5 e 6 de maio, o primeiro de três encontros do Ciclo de Diálogos para a Agricultura Sustentável, em parceria com instituições públicas, privadas e o Grupo Gestor Estadual. A iniciativa busca definir a estratégia de implementação do Plano ABC+ no Pará até 2030.
O ciclo de encontros seguirá até o fim de junho com o objetivo de consolidar uma proposta construída de forma participativa, voltada à expansão de tecnologias adaptadas às mudanças climáticas e à redução de emissões na agropecuária. Durante a abertura, o chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Walkymário Lemos, afirmou que é necessário avançar na transformação do modelo produtivo. “Não se pode produzir mais como antigamente”, enfatizou. “Hoje, a produção precisa estar baseada na ciência, capaz de integrar tecnologia, produtividade e resiliência climática”, afirmou.
A mesa de abertura contou com representantes da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas, do Ministério da Agricultura e Pecuária e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca. Segundo Lemos, a atuação da Embrapa ao longo de mais de 50 anos sustenta as bases do Plano ABC+. “Estamos adaptando a produção às mudanças climáticas, garantindo que o conhecimento acumulado sirva de base para uma agropecuária competitiva, com respeito às pessoas e ao meio ambiente”, completou.
O secretário da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, destacou o papel do plano na conciliação entre produção e conservação. “O Pará quer mostrar ao mundo que é possível gerar riqueza preservando o meio ambiente e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa. Exemplos práticos disso são o cacau e o açaí produzidos em sistemas agroflorestais”, afirmou.
Embora o Plano ABC+ seja uma política nacional do Ministério da Agricultura e Pecuária, a adaptação das tecnologias às condições da Amazônia é apontada como um dos principais desafios. De acordo com Victor Thiago Catuxo, coordenador do programa estadual na Sedap, práticas consolidadas em outras regiões precisam ser ajustadas ao bioma e às vocações locais.
Entre os avanços, está a expectativa de alcance da meta de 100 mil hectares em sistemas agroflorestais. Outro ponto destacado é a necessidade de aprimorar a mensuração de dados, com a criação de indicadores que considerem as especificidades ambientais da região.
O plano prioriza ações como recuperação de pastagens degradadas e intensificação de sistemas produtivos sustentáveis, incluindo a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o Sistema Plantio Direto. A política pública, conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, estabelece metas para o período de 2020 a 2030, com foco na resiliência produtiva e na redução de emissões.
A meta global do Plano ABC+ é mitigar 1,1 bilhão de toneladas de CO2 equivalente em mais de 72 milhões de hectares. No Pará, o ciclo de diálogos seguirá com novos encontros e uma consulta pública para consolidar as estratégias de implementação, com o objetivo de estruturar um plano alinhado ao lema “Produzir conservando, conservar produzindo”.